Ethereum

O que é Ethereum ? (Saiba mais)

Ethereum é uma plataforma digital cuja o foco principal é a implementação de aplicações descentralizadas (dapps) e de smart contracts (contratos inteligentes). Dapps são programas de computador que removem a necessidade de intermediários em basicamente qualquer serviço centralizado existente ao permitirem que qualquer pessoa confie em uma contraparte desconhecida para realizar os mais variados tipos de negócios e acordos de forma 100% digital.

No Ethereum, os desenvolvedores também podem escrever a lógica de negócios e acordos em forma de contratos inteligentes, que são executados automaticamente quando suas condições são satisfeitas por ambas as partes e informadas à rede. Estes contratos podem armazenar dados, enviar e receber transações e até mesmo interagir com outros contratos, independentemente de qualquer controle.

Os dapps e smart contracts funcionam na blockchain do Ethereum, que teve sua arquitetura inicial concebida por um jovem gênio russo­canadense, à época com 19 anos, chamado Vitalik Buterin, que escolheu o seguinte título para o seu white paper: “Ethereum: uma plataforma de contratos inteligentes e aplicativos descentralizados da próxima geração”.

Por “próxima geração”, Buterin refere-se às ferramentas agregadas à sua invenção que, em teoria, são capazes de resolver de maneira simples e objetiva várias das limitações da Blockchain do bitcoin e, com isso, inaugurar a fase 2.0 das criptmoedas.

Como Funciona o Ethereum ?

Qualquer pessoa pode carregar aplicativos ou contratos inteligentes na rede do Ethereum. A equipe de desenvolvimento da plataforma buscou deixar tudo o mais simples possível para amplificar o acesso à tecnologia. Por isso, os desenvolvedores podem escrever seus códigos em sete diferentes linguagens de programação, incluindo algumas bastante comuns, como HTML e JavaScript, dentre outras, como Go, Python e Lisp.

Como desenvolvedor de aplicativos, você vai precisar de infraestrutura zero para implementar e distribuir suas aplicações. Qualquer coisa que possa ser representada matematicamente pode ser modelada, garantida e negociada através do Ethereum. Depois de ser escrito em uma linguagem de programação aceita pela plataforma, basta subir o código na plataforma, preencher as variáveis iniciais e enviar. Depois disso, o trabalho passa a ser da plataforma, que em alguns segundos converte o código para linguagem de máquina, compilado em bytecode, e depois de minerado ele estará passível de ser executado.

Uma vez feito o upload, o contrato estará armazenado no blockchain e outros usuários poderão acessá­lo diretamente através da plataforma ou por meio de qualquer API (Application Programming Interface ou Interface de Programação de Aplicações) desenvolvida para acessá­lo. Com isso, aquele contrato, a partir da identificação de que as condições celebradas nele foram satisfeitas, irá automaticamente executar as premissas nele estipuladas e poderá, por exemplo, enviar ou receber valores de uma pessoa a outra.

Além disso, assim como o bitcoin, com o qual você não precisa confiar em um banco ou em uma autoridade central para manter seus recursos financeiros seguros, no Ethereum suas informações pessoais, sua identidade e seus fundos também ficam sob seu controle todo o tempo, desde que dentro de sua carteira. Sem contar que suas aplicações também estão blindadas a ataques de negação de serviço, devido à natureza da tecnologia ser à prova desse tipo de intempérie.

O Ethereum possui uma moeda própria, chamada de ether (ETH) que tem basicamente dois propósitos:

Para rodar um dapp ou um contrato inteligente na rede da plataforma, o usuário precisa pagar pela utilização do poder de processamento da rede. Quanto mais complexo for o aplicativo, mais ether ele exigirá. Se o bitcoin é o ouro digital, pense o ETH neste caso como se fosse o petróleo digital, um combustível necessário para manter os computadores rodando, garantir a verificação das transações e, não menos importante, a segurança de toda a rede.

Assim como acontece com o bitcoin, aqueles que participam do processo de mineração do Ethereum, ou seja, de verificação dos blocos de transação, recebem como recompensa uma certa quantidade de ETH. O ether é minerado através de um algoritmo chamado Ethash, que foi construído para dificultar seu processamento por meio de hardwares específicos, como o chips ASICs, utilizados para minerar bitcoin. Sendo assim, a mineração ocorre por meio de GPUs, hardwares bem mais simples, o que acaba encorajando a descentralização do processo, diferentemente do que vem ocorrendo na indústria do bitcoin, que está bastante concentrada em investidores com capacidade de sustentar uma operação de grande escala e uso intensivo de capital.

O Ethereum não foi chamado de uma tecnologia da nova geração dos mercados descentralizados à toa. Ele traz uma série de melhorias em relação às outras alternativas. Vejamos algumas delas:

O tempo de confirmação de cada bloco na rede Ethereum é de 17 segundos, que será baixado para 15 segundos nas próximas atualizações. Em comparação, ao utilizarmos o bitcoin este processo leva cerca de 10 minutos para acontecer, podendo às vezes levar até mais tempo dependendo do
congestionamento da rede. Em suma, o Ethereum processa uma transação 30 vezes mais rápido que o bitcoin.

Você pode criar sua própria criptomoeda ou token utilizando a plataforma Ethereum. Enquanto isso, na rede do Bitcoin, só existe a moeda digital homônima e nenhuma outra.

Somente contratos e aplicações simples podem ser implementadas no Blockchain do bitcoin. No Ethereum, qualquer tipo de contrato inteligente ou dapp, por mais complexo que ele seja, pode ser criado e executado. Tudo isso de maneira distribuída e resistente à censura de qualquer órgão.

A escalabilidade do Ethereum não é passível de uma longa e penosa discussão como vem acontecendo com o bitcoin. No caso da primeira plataforma, o poder de processamento da rede pode aumentar ou diminuir de acordo com a demanda. Isso já está pré-definido no protocolo Ethereum.

Um Pouco da História

O Ethereum foi inicialmente descrito por Buterin no final de 2013 como o resultado de sua pesquisa e trabalho na comunidade Bitcoin. Pouco depois, Vitalik publicou o Ethereum white paper, no qual ele descreve em detalhes o desenho técnico e racional por trás do protocolo Ethereum, além da arquitetura dos smart contracts.

No dia 25 de janeiro de 2014, durante a North American Bitcoin Conference, realizada em Miami (EUA), Vitalik apresentou oficialmente sua ideia. Imediatamente após sua apresentação, uma grande quantidade de desenvolvedores o procurou para entender melhor sua proposta.

Em abril daquele ano, Dr. Gavin Wood, que começou a trabalhar com Buterin, publicou o Ethereum Yellow Paper que serviu como a bíblia técnica e a especificação de­facto para a Ethereum Virtual Machine (EVM). A partir deste artigo técnico, o Ethereum passou a ter a possibilidade de ser implementado em várias linguagens de programação.

Além do desenvolvimento do software para o Ethereum, a viabilidade para lançar uma nova criptomoeda e uma blockchain requeria um esforço gigantesco de bootstrapping, uma espécie de mecanismo de inicialização de aplicações, com o objetivo de reunir os recursos necessários para colocar a plataforma de
pé e em funcionamento.

Para dar início a uma grande rede de desenvolvedores, mineradores, investidores e outros interessados, o Ethereum anunciou um plano para conduzir uma pré-venda das moedas ether.

As complexidades legais e financeiras que envolvem o levantamento de recursos por meio de uma pré­venda levou a criação de várias entidades legais, incluindo a Fundação Ethereum, estabelecida em junho de 2014, em Zug, na Suiça.

No início de julho, o Ethereum distribuiu a alocação inicial de ether por meio de uma pré-venda que durou 42 dias, totalizando o equivalente a 31.591 bitcoins, que à época valiam pouco mais de USD 18,4 milhões, em troca por 60.102,216 ETH.

Os resultados da venda foram inicialmente usados para pagar débitos acumulados com as questões legais e jurídicas da empreitada e também para os meses de empenho dos desenvolvedores que ainda precisavam ser compensados, além de dar sustentação ao contínuo desenvolvimento da tecnologia.

Após o sucesso da pré-venda de ether, o desenvolvimento da tecnologia foi formalizado sobre uma organização sem fins lucrativos chamada ETH DEV, que gerencia o desenvolvimento do Ethereum e tem Vitalik Buterin, Gavin Wood e Jeffrey Wilcke como os três diretores da entidade.

Ao longo de 2014, o interesse dos desenvolvedores cresceu firmemente e o time da ETH DEV conseguiu entregar uma série de lançamentos de proof­of­concept (PoC) para a comunidade desenvolvedora fazer suas avaliações. Frequentes posts do time desenvolvedor no blog do Ethereum ajudaram a manter o
entusiamo e ímpeto ao redor dos avanços do Ethereum. O aumento do tráfego e o crescimento da base de usuários tanto no fórum do Ethereum quando no Reddit eram provas de que a plataforma estava atraindo uma comunidade devota e rapidamente crescente de desenvolvedores. Isso tem continuado ainda nos dias de hoje.

Em novembro de 2014, o ETH DEV organizou o evento DEVcon­0, que reuniu desenvolvedores Ethereum de todo o mundo na cidade alemã de Berlim para discutir uma série de questões envolvendo a tecnologia. Várias apresentações e sessões da conferência serviram mais tarde para orientar importante iniciativas que tornaram o Ethereum mais confiável, seguro e escalável.

Em abril de 2015, o programa DEVgrants foi anunciado, que consistiu em um programa que oferecia recursos para contribuições tanto para a plataforma quanto para projetos baseados no Ethereum. Centenas de desenvolvedores já estavam dedicando seu tempo e intelecto para os projetos. O programa continua ainda aberto a todo e em janeiro de 2016 foi renovado oferecendo mais recursos aos participantes.

Ao longo de 2014 e 2015 o desenvolvimento da plataforma passou por uma série de lançamentos de PoCs que culminaram no teste de rede do 9º PoC, chamado Olympic. A comunidade desenvolvedora foi convidada a testar os limites da rede e um prêmio substancial em recursos foi alocado para aqueles que conseguissem ter sucesso em quebrar o sistema de algum jeito. Um mês depois do teste, as recompensas foram anunciadas oficialmente depois do lançamento oficial do Ethereum.

No começo de 2015, outro programa de recompensas foi lançado oferecendo bitcoins para aqueles que encontrassem vulnerabilidade em qualquer parte do software do Ethereum. Isso sem dúvida contribuiu para a confiabilidade e segurança do Ethereum e a própria confiança da comunidade na plataforma. O
programa ainda continua ativa e não há data planejada para seu fim.

A auditoria de segurança do Ethereum começou no final de 2014 e continuou ao longo do primeiro semestre de 2015. Múltiplas firmas terceiras de segurança de software foram envolvidas para conduzir um processo final de auditoria nos componentes críticos do protocolo. Os relatórios de auditoria descobriram problemas de segurança que foram resolvidos e testados novamente e resultaram, em última instância, em uma plataforma mais segura.

A rede do Ethereum Frontier foi lançada oficialmente no dia 30 de julho de 2015 e os desenvolvedores começaram a escrever smart contracts e aplicativos descentralizados, conhecidos como Dapps, para rodarem em tempo real na rede Ethereum. Ao mesmo tempo, mineradores começaram a se juntar à rede
Ethereum para manter a segurança da blockchain da plataforma e passaram a ganhar ether para minerar os blocos, algo muito similar ao que acontece com o bitcoin.

Apesar de que o lançamento do Frontier tenha sido o primeiro marco do projeto Ethereum e foi inicialmente pensado como uma versão beta por seus desenvolvedores, ele acabou se mostrando no final das contas muito mais capaz e confiável do que se esperava e houve uma verdadeira corrida de
desenvolvedores que passaram a construir soluções e a melhor o ecossistema do Ethereum
.
A segunda conferência de desenvolvedores DEVCON1 ocorreu na cidade inglesa de Londres no início de novembro do ano passado. O evento, que durou cinco dias, reuniu mais de 100 apresentações e painéis de discussões, atraindo mais de 400 participantes, compostos por desenvolvedores, empreendedores, pensadores e executivos de negócios.

A presença de grandes corporações, como UBS, IBM e Microsoft, claramente indicam o interesse pela tecnologia. Inclusive, a Microsoft anunciou que iria oferecer o Ethereum em sua nova blockchain como uma oferta de serviço na plataforma de computação na nuvem Microsoft Azure.

Outro grande marco para tecnologia ocorreu no dia 14 de março, quando o Ethereum deixou sua versão beta Frontier e passou a rodar a robusta versão conhecida por Homestead, que inclui uma série de melhorias no protocolo.

Conclusão

O Ethereum é uma plataforma em constante desenvolvimento. Surgiu a partir de uma jovem mente brilhante e hoje já envolve centenas de desenvolvedores de alto nível que estão trabalhando dia e noite para propor melhorias e soluções criativas para a rede.

Diferentemente do bitcoin, o ether não tem como proposta ser uma moeda de reserva de valor, mas isso poderá acontecer, dependendo da conjuntura. O cerne do Ethereum é ser a infraestrutura tecnológica para a resolução de crises de confiança entre contrapartes que são tão presentes no mundo.

No futuro, talvez utilizaremos aplicações sem sequer saber que elas estão rodando na plataforma do Ethereum. Mas até chegarmos a esse ponto, muita coisa ainda precisa acontecer. A única certeza é que o time de Vitalik Buterin está caminhando por terras ainda não desbravadas pela humanidade e, só por isso, já merece nosso respeito e atenção.

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